Depois do 15… já estamos no 16.

E eis que se “sai” de 2015 e se “chega” a 2016 algures no “profundo” Portugal e, ao mesmo tempo, aqui tão perto, por terras onde o frio é rei e os fumeiros aquecem as casas deste demo por onde andou um dos maiores vultos da nossa literatura e da História das gentes e de um povo, afinal, foi Aquilino que nos falou destas “terras do demo” e nos deu a conhecer este gente “dura” mas meiga, talhada no granito frio e escuro, que nos aquece a alma e o corpo com a sua maneira simples e humilde de receber, de quem oferece o que tem e o que tem é o melhor que podemos querer…

Adiante, que apesar de ser o primeiro do ano, se faz tarde pela companhia dos que nos são próximos e com os quais fizemos esta “travessia”, não só a de hoje, mas a da vida…

2015 foi tempo de vésperas de um “Tempo de Vésperas” que se espera mais interventivo, mais assíduo, mais próximo e presente. Este que agora findou, foi um ano de algum resguardo, de alguma reflexão e de outros projectos que nos levaram o tempo e muitas vezes a vontade…

Este que agora se finou fica indelevelmente marcado pela “vitória” dos que perderam, numa espécie
de “tu ganhaste” mas a “bola” é minha, das minhas amigas “esganiçadas” e images-1dos meus camaradas de Moscovo, que já não é do povo, como do povo já images-2não são colhidas as vontades, que agora se interpretam não como são, mas alguns julgam que são. Vai daí, enganam-se os tolos e o resto está à vista de quem quer ver para além da miopia castradora que alguns herdaram de um Abril que nem Novembro, num mesmo 25, resolveu… e depois de se lá estar, afinal é como na vida real, não é bem assim…

images-3O 15 foi também o ano de Jesus, andou uns metros na 2ª circular e foi elevado à categoria de herói da “irmandade”. Se como técnico lhe são conhecidas qualidades, quanto ao resto nada trouxe de novo à arte de “mascar a pastilha” e, vamos ver, se à “irmandade”, dá algo mais além de um Natal que, apesar de tudo, não diferiu muito de outros tantos, muitos, vividos pelo Campo Grande.

No dealbar do ano eis que Paulo, dizem, resolveu “dizer” que sai em Abril, fechando um ciclo emimages-4 que, goste-se ou não, marcou a política portuguesa, reformou a direita portuguesa, uma direita diferente das suas congéneres europeias, uma direita “moldada” por Paulo, para Paulo e de Paulo… Irrevogavelmente ficará para história que a história dele falará, na certeza que há um tempo antes e um tempo depois.

2015 foi ano em que uns quantos continuaram a tentar impor pelo medo as suas crenças e ideias, se images-6bem que não se percebe como se quando muitos do seus procuram refúgio nessa sociedade queimages-5 tanto abominam. Nesta matéria, tenho para mim, que não há negociação possível nem amnistia que traga de volta aqueles que “partiram” mais cedo, que o digam os 13 portugueses e seus familiares que perderam a vida em nome das “absolvidas” FP’s-25…

No que resta, desejar um excelente 2016, na promessa de nos encontrarmos mais vezes por aqui, em tempo de vésperas de vésperas de um tempo melhor…

Terras do Demo, ao primeiro de Janeiro do Ano da Graça de dois mil e dezasseis.

E no fim…

E no fim…

Uma campanha morna a nível nacional e uma campanha mais morna ainda a nível distrital, o país, bem, não parou e nem tinha que parar. 41 anos após “abril” o povo percebeu, finalmente, que o mundo não pára só porque há eleições. Talvez para alguns, dependentes da dita, isso corresponda a uma (a)normalidade…

images-1A nível nacional a grande surpresa, para mim, foi a “perfomance”  da camarada Catarina Martins, que numa autêntica “lavagem a jacto” terá conseguido evitar a “UDPsização” do Bloco ou mesmo o seu óbito.  Afastou-se dos amigos gregos e procurou atingir novos públicos, tentando recuperar a sua vocação de partido de protesto. No campeonato dos “pequenos” uma palavra sobre essa criatura surreal, criação de Goucha & maxresdefaultCª. nas manhãs televisivas de uma qualquer televisão de pacotilha, Marinho e Pinto, a personificação em pessoa do político habilidoso ao melhor estilo de faz o que eu digo, não faças o que eu faço, que espero bem tenha sido definitivamente “irradiado” por indecente e má figura… 

UnknownJá António Costa, apesar das constantes elevações ao nível dos ombros dos seus camaradas , não seguiu ao “colinho” e manteve-se num registo “português suave”  e se é verdade que as eleições não se ganham, apenas se perdem, a dupla Pedro & Paulo, cumpriu com distinção e não vai perder, com uma campanha serena e983118
objectiva, demonstraram, em complementariedade, que sabiam ao que vinham e que para isso se prepararam, sem amadorismos nem cenas dignas de uma “novela venezuelana” de 5ª categoria… dos cartazes à mãe chorosa do filho emigrante na china, a Costa tudo aconteceu e é “seguro “ que o Tó-Zé deverá estar a sorrir…

Cá pelo distrito, onde os pequenos não contam, um PS de província, apesar de uma cosmopolita e 11987212_893595120695988_7934077330881729388_nsimpática “cabeça-de-lista” e de um esforçado e urbano João Paulo Rebelo, foi presa fácil para uma coligação assente na dupla Alves/Amaral que levaram ao 12038136_1477502415890817_3787732290023060292_n“colinho” um Leitão Amaro, que inteligentemente usou a capacidade organizativa de Pedro Alves e a empatia e generosidade/disponibilidade de Hélder Amaral para calmamente “passear” e “assobiar”  pelo cavaquistão de mão-na-mão…

Resumindo e concluído, ganha quem sabe, perde quem não quer saber…

(artigo de opinião, publicado no”Jornal do Centro de 2/10/2015)