“Apesar de tudo e contra muitos”

Captura de ecrã 2015-11-10, às 17.19.3910 de Novembro de 2015, tempo de vésperas de S. Martinho, o país, Portugal, vive um dia histórico e único na sua vida política. Singularmente, 41 anos após “abril” e no mês de outro 25, aquele que, efectivamente consolidou a democracia em Portugal, assistimos a um “coup d’État” constitucional perpetrado, pasme-se, ou talvez não, por aqueles que se auto-rotulam como os grandes defensores da liberdade, do povo e da democracia. Sinais dos tempos que vivemos, onde ao que parece, palavra dada não é para ser honrada. Longe ficam os tempos em que a vontade popular, emanada pelo voto, era respeitada e considerada, hoje já não… estes são os dias em que os que perderam, os que não ganharam, aqueles a quem o povo não mandatou para governar, se aprestam para assaltar o poder. Resta saber com que objectivos e para que fins.

A verdade é uma, a 4 de Outubro, para quem não se lembre, dia de eleições legislativas, 36,86% dosCaptura de ecrã 2015-11-10, às 14.17.22 eleitores que exerceram o seu direito de voto, consideraram que a coligação PSD/CDS era a força política mais habilitada para governar, razão pela qual ganhou essas eleições. Se assim os portugueses o não entendem-se ou não quisessem, outra força política teria tido mais votos e eleito mais deputados, mas não.

A coligação ganhou e, como já aconteceu em eleições anteriores, não ganhou com maioria absoluta.

O PS de António Costa, que ambicionava a vitória, primeiro com maioria absoluta, depois com maioria relativa e, sabemos hoje, a qualquer custo e de qualquer forma, ficou em 2º lugar… O mesmo PS que em Maio de 2015 considerou a vitória do PS de Seguro, uma vitória “poucachinha”, que não bastava ganhar, era preciso “golear”. Vai daí, toca a correr com o Tó-Zé, pois com o Costa a vitória era certa e para ganhar “não basta ter mais um voto”. “Uma derrota da direita saberá a pouco, se a ela não corresponder uma vitória substancial do PS”(in jornal “Publico ” de 26/05/2015). Pois bem, este PS nem ganhou, nem teve mais um voto, antes pelo contrário, perdeu… ou não???

Ao que parece, pelo menos para o dito Costa, para a camarada Catarina, essa sim cresceu exponencialmente e obteve um excelente resultado para o Bloco de Esquerda, para o camarada Jerónimo, que ou ia atrás ou perdia o comboio e para mais alguns democratas de peito cheio, não perdeu, afinal ganhou, ou melhor ganharam. Como? É fácil, juntam-se todos, ou alguns, dos que foram derrotados e “voilá”, de repente temos a esquerda dos interesses, a esquerda ressabiada, inimiga figadal e divergente entre si a unir-se em torno desse desiderato de governar a qualquer custo e de qualquer maneira. Veja-se o teor dos acordos, independentes entre si pois não conseguiram chegar a nenhum acordo conjunto que não fosse o de pura e simplesmente, mesmo assim com motivações diferentes, não deixar governar quem para tal foi mandatado pelo voto.

1002194Eis que estamos em tempo de vésperas, ou talvez não, de ver o Presidente da República na contingência de dar posse a um governo que assenta a sua estabilidade na incongruência de um programa de governo comum aliado a 3 acordos políticos que não garantem nada ou quase nada para além da rejeição de qualquer moção de censura ou rejeição apresentada por PSD, CDS ou PAN… paradoxalmente permite que os subscritores o possam fazer e não garante a votação solidária no parlamento de instrumentos fundamentais para a governação como os orçamentos de Estado. Ou seja, em absurdo e caricato, caso seja empossado um governo nestas condições, o mesmo pode cair logo a seguir.

Mas confiemos que palavra dada tem de ser honrada, mesmo quando temos um governo socialista, telecomandado pelo Comité Central do PCP e dependente das crises existenciais de Catarina Martins, Mortágua e quejandos.

O presente diz-nos que estamos em tempo de vésperas de dias difíceis, dias de retrocesso a um passado12193748_981122718612494_1038988694370111528_n que julgávamos ultrapassado após todos os sacrifícios que suportámos e que nos permitiam, até hoje, pensar num futuro melhor. A ganância e a sede de poder de alguns poucos, sobrepôs-se a vontade expressa de muitos.

Aguardemos então para ver onde isto nos vais levar e que consequências nos trará, na certeza de que não fugimos, nem temos medo. Aqui estaremos, pois como afirmou  um dia Adelino Amaro da Costa, julgamos que “a nossa esperança na democracia, na reconstrução e na reconciliação, tem sérias razões para sobreviver”.

“Apesar de tudo e contra muitos”

 

 

 

 

 

 

 

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