Feirar incomoda? Mudar também…

10537878_894454230570821_6952976707433155388_nNunca tantos de forma tão clara e aberta criticaram o programa ou cartaz da Feira de S. Mateus, anos e anos de mesmo e do mesmo em dose revista e aumentada de popularismo bacoco pró-parolo e muitos dos que calaram ou apenas em surdina o disseram agora dão asas à liberdade poética e democrática da arte de “mal-dizer” e criticar. Saúda-se a intervenção cívica, saúda-se a crítica e é positivo ver, agora, muitos a subscrever o que alguns já há muito dizem.

Se outro mérito não tivesse, que tem, este cartaz aliado ao “feirar” que todos fazem e que é “chic” criticar, só pelo simples de facto de abrir as consciências para a realidade daquilo que era e ainda é a “nossa” Feira já cumpriu em muito a sua função. Basta percorrer as redes sociais, a blogosfera local, ouvir as conversas de café, etc… Todos falam e opinam, se primeiro era sobre o “FEIRAR” e o octógono presente na simbologia da Feira, por acaso já aparecia no cartaz do ano passado, agora é a desancar num programa que não sendo uma “riqueza” sempre é qualitativamente melhor em comparação com os anteriores, dos quais ainda enferma de “influências” e “coincidências”…

Assim sendo e em face dos disparates que  por aí tenho visto, fruto seguramente de falta de informação e, nalguns casos, para enfileirar no pagode, também me acho no direito constitucional de emitir a minha opinião, respeitando quem pensa de maneira diferente e tem opinião diversa, sabendo, no entanto, que haverá quem não tenha a capacidade de exercer o inverso.

Tenho para mim, que este “programa das festas” tem logo como efeito imediato a demonstração cabal de que é possível fazer mais e melhor, este tenderá a ser o último nestes moldes e podia ser o primeiro de uma nova era se tivesse sido gizado sem as “sombras” coincidentes de anos anteriores e a necessidade de respeitar públicos tão diversos e opostos como os que dão vida à Feira de São Mateus. Acresce que programar tantos dias, 36, respeitando um orçamento contido, para quem não sabe 1 milhão de Euros, que comparam com 1,3 milhões de euros da Expofacic de Cantanhede, a qual dura apenas 10 dias, não é seguramente tarefa fácil.

Polémicas à parte, a mera comparação do que apelido de “cartaz principal” agora apresentado com o do ano pretérito,  produz as constatações visíveis na seguinte infografia:

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  • Augusto Canário e as suas concertinas e  Sons do Minho, não figuram no cartaz de 2014 mas repetem a presença, coincidentemente no mesmo fim-de-semana. Coincidência que repetem Tony Carreira e Quim Barreiros…
  • Qualitativamente, na minha modesta opinião, as saídas e entradas no quadro principal equivalem-se, existindo uma clara limpeza ao nível do nacional cançonetismo, para ser simpático na denominação…

Não é o cartaz que a cidade-região e o certame exigem no contexto do novo ciclo que se anuncia e para o qual se caminha seguramente, sendo este um ano “zero” de um futuro diferente, quero crer ser este o cartaz possível, como de igual modo teremos a feira possível…

Como todas as mudanças, também esta mudança no paradigma da Feira de S. Mateus, esbarra em interesses instalados e na inércia própria de quem vê na mudança sempre um perigo.

Uma coisa é certa, pior do que o nível a que se chegou é difícil para não dizer impossível.

Eu quero a “feira da minha infância” de volta

 

One response to “Feirar incomoda? Mudar também…

  1. Sonho impossível de realizar, o tempo é voraz e tudo muda. Umas vezes para melhor, outras nem tanto. Este ano começaram já tarde? deviam ter despachado o Dr. Moreira mais cedo para entregar tudo ao “feirante” do costume. Tenho de dar razão ao Sr. Jorge Carvalho que disse que não se podia mudar muita coisa para não espantar (fazer fugir) a clientela habitual, as gentes das aldeias vizinhas e os emigrantes porque os viseenses continuam afastados da feira. Nos últimos anos foram feitas muitas pequenas mudanças e nada resultou.
    Desengane-se a feira é feita para os feirantes e cada vez mais para caçar os emigrantes. Para o ano abram as portas logo no dia 1 de Agosto. Vergonhoso é deixar do dia S. Mateus de fora.
    É disto que a maioria gosta e se quiserem mudar a sério pensem em deslocalizar a feira ou fazer como no tempo do Capitão Almeida Moreira, dar primazia aos produtos locais e nacionais de qualidade, exigir barracas decentes, divertimentos novos e assegurar a segurança e conforto dos visitantes.

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