O país vs “A Casa dos Segredos” (versão Tróika revista e aumentada)

Quinta-feira passada, dia 13, o país assistiu à entrevista do PM Pedro Passos Coelho à RTP, pretenso serviço público de televisão, uma das entrevistas mais assistidas dos últimos anos. Já no sábado, parte desse país mostrou na rua a sua indignação,num direito que lhe assiste. No Domingo, após mais uma “homília” marcelista em que o vigário consegue enganar-se a si próprio, uma jornada de “A Casa dos segredos”, programa que, quase de certeza, escapou ao controlo da Tróika e do amigo Gaspar, ou seria alvo de imposto extraordinário…
Será este o retrato do país actual? O país da casa dos segredos?
Se calhar existe um paralelo entre a situação difícil e grave que vivemos e a casa dos segredos. Se repararmos bem, desde Big Brothers, Quintas e Tropas, Cinhas e Castelos, pontapés e vulgaridades avulsas, num constante ataque à saúde mental de um povo que nessas pretensas comédias da vida real se entretinha deixando assim ao sabor dos ventos a governação do país e os seus interesses colectivos. Apesar de tudo, a vida corria, o défice aumentava, mas o RSI também, a educação definhava mas a malta doutorava-se nas Novas Oportunidades, ele era SCUT’s todos os dias e PPP?s que auto-finaciavam(???), inaugurações e mais inaugurações, nem que fossem repetidas e Alcochete ali ao lado… a um saltinho de Paris…
Vivia assim o país adormecido até ao dia em que apareceu para aí uma rapaziada da Tróika, de livro de cheques em punho…
O país acordou, letárgico mas acordou, pouco mas reagiu, resignou-se à necessidade de fazer sacrifícios e fez…até demais, diga-se…
Hoje, passado mais de um ano sobre a “Tróikisação” da economia e da sociedade portuguesa o país parece ter acordado, resta saber se por breves instantes ou se para sempre…

Porque outros se calam e tu não… Portugal que futuro?

O país parou, suspenso do que diria Gaspar, o monocórdico, senhor de um fair-play e de um humor refinado, ouviu o que já sabia, que a austeridade aumenta, que quem paga somos “todos nós” (já vi isto em qualquer lado), que somos “bons alunos” e que, “felizmente”, o IVA não aumenta e, já agora, os amigos da Tróika “deixam” que o défice derrape…

Não é meu propósito escalpelizar aqui as medidas tomadas, assim sendo, vamos ao que interessa.

Da esquerda caceteira, vulgo PC e futuro defunto BE, os costumeiros berros e palavras de ordem de já pouca ou nenhuma eficácia a que se lhes junta o satélite CGTP e a já pouca voz da UGT… Não percamos tempo…

O PS regiu pela voz de um jovem turco, Brilhante Dias de seu nome, pouco brilhante o discurso esperado de quem quer tudo menos ir para o governo ou ter responsabilidades governativas nesta altura. Aliás, Tó-Zé irá dizer isso mesmo a Cavaco Silva, que está seguro que a situação está má, mas que é preciso estabilidade… Tudo menos governar, isso não…

O PSD, pela voz de Jorge Moreira da Silva, lá veio avalizar tudo e mais alguma coisa, enquanto que do lado do PPD o silêncio de vários “barões” e as desconcertantes afirmações do “camarão da costa” Marcelo e do “boy” Nogueira Leite dizem tudo. Acresce que, numa manhã, não de nevoeiro, Alexandre Relvas, o “mourinho” de Cavaco e um nome a fixar para o futuro do país, falou…

Já o CDS, pelo “silêncio patrótico” do seu líder Paulo Portas, mantém o país em suspenso do que irá fazer… Especialidade de Portas, a geo-estratégia política. Paulo Portas faz o seu percurso calmo e sereno, na expectativa do que fará Cavaco Silva e deixando aos Senadores do partido, Bagão e Adriano Moreira, a tarefa de dar voz à direita portuguesa. Isto depois de António Pires de Lima ter dado o tom…

E Cavaco? em silêncio responsável, mantém-se, ele, atento e o país em suspenso sobre o que dirá ou fará.

A Cavaco não restam muitas opções. Por um lado um governo estafado e desacreditado, internamente, com profundas clivagens entre os dois partidos que o suportam, mas, com boa imagem junto da Tróika. Por outro lado, um PS sem chama nem uma ideia para o país, a sofrer de gritante amnésia e seguro de que não quer nem pode governar até porque isso obrigava a cura amnésica interessante. Acresce um país em grave crise social e económica, descrente e sem forças, um gigante adormecido…

Cavaco Silva sabe que tem pouca margem de manobra e pouco tempo, até, no limite, ao Orçamento de Estado algo terá que acontecer…

Por iniciativa própria ou por se ver pressionado a isso por um qualquer motivo, Cavaco vai ter de decidir se convoca ou não eleições antecipadas, dado que, na minha opinião, este governo está a e por dias.

Com um PS a querer fugir, um PSD a precisar de vida, um CDS, Paulo Portas diga-se,com forte sentido de Estado, um país expectante e uma Tróika de livro de cheques na mão, Cavaco Silva vai ser obrigado a nomear um governo de transição, vulgo salvação nacional, se é que ainda há algo para salvar, de sua iniciativa, mantendo a actual Assembleia e no qual estejam os três partidos do arco governamental, todos eles comprometidos com memorandum da tróika, o PS porque o negociou e assinou, PSD e CDS porque o avalizaram… Será um governo fortemente tecnocrata, restando saber quem o presidirá.

Neste cenário, o pior pesadelo de Tó-Zé Seguro, pois terá que brincar aos governos, o país viverá até 2014 sob uma governação de consensos “obrigados”, dependente do que emanar de Berlim e fortemente acossado socialmente, na esperança de um novo amanhã e de um futuro melhor…

Resta esperar, pensar e acreditar que o povo é sereno e que as Forças Armadas e os seu Oficiais Superiores são um espelho desse mesmo povo e, já agora, reler o que nos deixou Sophia de Mello Breyner Anderson:

“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não…”

O país 24 horas depois, ou a letargia de um povo sereno.

Vinte e quatro horas depois da comunicação do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho e eis que o país retorna ao seu estado de habitual letargia e o cidadão comum á sua indignação de café ou de esquina.
Manifestações? Contestação?
Nada. Aqui ao lado, a esta hora a Castellana e as Ramblas estariam inundadas de pessoas indignadas e dispostas a mostrar o seu descontentamento. Por cá, uns posts e uns likes no face e eis que o cidadão enche o peito e diz: ” já levaram, os sacanas…”.
Soluções? Não, a oposição apenas diz que chegámos ao limite, limita-se a criticar numa letargia, mormente socialista, amnésica e agarrada a um Abril longínquo de 38 anos, onde tudo tem a sua génese. Mas soluções não, não apresenta, não tem e se calhar nem quer ter.
Os comentadores vão zurzindo ora no governo ora em PPC ou mesmo no exilado José Sócrates, para assim irem tendo lugar nos canais da parvalheira televisiva.
É este o estado da arte, um estado comatoso e no qual parece vivermos bem, resignados ás imposições da Troika e á aparente impotência deste governo, silêncio do Presidente da República e inabilidade da oposição.
Neste cenário há um silêncio que incomoda mais que muito ruído, o de Paulo Portas, em viagem de Estado ao Brasil. Pedro sabe que sem Paulo não sobrevive e Paulo sabe que sem ele Pedro não vai a lado nenhum…
Paulo Portas, que vive para a política, sabe bem o que está em causa, a sobrevivência da nação. PPC, com PP no Brasil e Gaspar ás voltas com a Troika, falou ao país, nervoso e inseguro, piscou o olho ao CDS com a redução da TSU das empresas, mas sabe, tal como PP, que pior está para vir e que a negociação do próximo Orçamento Estado não vai ser fácil. Com Seguro e o PS fora do baralho, o CDS torna-se imprescindível e Paulo, senhor de uma sagacidade política única também o sabe e sabe que Pedro sabe que ele sabe…
Este governo tem prazo de validade, o próximo orçamento de Estado.
E agora e depois, como agora, o que fazes PORTUGAL?
Relembrando Pessoa:
“Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir PORTUGAL”
E isso é responsabilidade de todos nós.

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Do hospital à loja do cidadão, um modelo de governação: o laranjal

Vai grande reboliço com a nomeação do novo coordenador na Loja do Cidadão de Viseu, cargo que foi “criado” à medida dos interesses corporativos de determinada força política, sendo que aqui o que menos interessa é o nome da Sra. nomeda que se vê aqui envolvida em função da desfaçatez e falta de qualquer sentido de responsabilidae e/ou de decoro. Interessante e relevante é o Curriculum, que já se viu se “ajusta” perfeitamente ao guião de um filme merecedor de passar no “isto só vídeo”…
Saboroso e liminar o acompanhamento feito por um assessor governamental, quiçá motivado pela ânsia de mostrar á saciedade que a “mudança” valeu a pena…
Mais um episódio triste que me fez relembrar o que aconteceu na nomeação do Conselho de Administração do Hospital de Viseu, outra vergonha, denunciada então pelo CDS, na voz de Hélder Amaral e do escriba…
Dois episódios que demonstram bem o modelo de gestão pública que o PSD tem presente…
Ao que sei, o CDS foi apanhado de surpresa, o que não me admira pois o PSD nestas matérias sabe que a posição do CDS é só uma, não avaliza…
Assim sendo, resta saber três coisas:
* Quem é o “pai da criança”?
* Qual a relação entre esta nomeação e a transferência de Daniel Martins para o PSD e a daquele com a nomeada?
* Que pensam dirigentes e autarcas locais do PPD que constantemente afirmam ser contra este tipo de situações?
Já agora, era interessante saber se a sra. professora é militante de PS…
Resumindo e concluindo, mal vai o laranjal quando a rega que lhe dão padece de grave inquinamento, afinal a má politica existe e a falta de vergonha de alguns continua a fazer escola.