A carta finalmente chegou…

A banhos por praia do norte do país, outrora cheia de gente por esta altura do verão, o que hoje não se verifica apesar do tempo agradável que por aqui se faz sentir, dediquei parte do meu tempo livre à leitura da famosa carta que Paulo Portas escreveu aos militantes do CDS, que me chegou ontem via mail às 19h38m e que o jornal Expresso divulgou com elevado grau de exactidão à quase um mês.

Da leitura da mesma, muito bem redigida e de uma elevada riqueza verbal, como é apanágio de Paulo Portas, ressaltam algumas ideias que têm vindo já a ser veiculadas por dirigentes do CDS nos últimos tempos e que Paulo Portas reitera agora no seguimento do seu recente discurso no aniversário do CDS nos Açores. Fica claro que o CDS apenas está neste governo em nome do país, porque era imperioso ter estabilidade governativa para se garantir a sobrevivência de Portugal numa altura em que apenas com a subjugação ao memorando da Troika, que Paulo Portas relembra e bem, ter entrado pela mão do PS, era e foi possível pagar salários e honrar compromissos. Paulo Portas é peremptório ao afirmar que atingimos o limite da carga fiscal, reconhece que não é para já possível reduzir a mesma, mas deixa o aviso que é necessário pugnar para que tal aconteça no pós-troika.

Se cruzarmos o conteúdo desta missiva de Portas com a magnifica entrevista de António Pires de Lima no pretérito fim-de-semana na SIC-N e com as sucessivas intervenções de Bagão Félix, chegamos à conclusão que o CDS não está muito contente com o rumo que o seu parceiro de coligação está a tentar imprimir à governação do país nem com as repercussões do caso Relvas e de outras trapalhadas motivadas em grande parte por alguma descoordenação política que grassa no executivo. Os “recados” estão dados…

Na minha modesta opinião, este governo não chegará ao final do seu mandato, existindo dois momentos criticos para sobrevivência do mesmo.

O primeiro será já na discussão/votação do próximo Orçamento de Estado, se Gaspar e Passos se virem tentados a aumentar a carga fiscal para cumprir as metas impostas pelo memorando da Troika ao CDS de Paulo Portas não restará outra opção que não retirar o seu apoio ao actual governo.

Confrontado com este cenário, o Sr. Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, atendendo ao Estado da Arte, optará por formar um governo de iniciativa presidencial, em deterimento de eleições antecipadas, que recolha o apoio dos três partidos do arco da governabilidade, presidido por personalidade de inquestionável valor e sem Pedro, Tó-Zé e Paulo. Este governo teria como missão conduzir o país até final da vigência do memorando, executando as medidas nele vertidas e preparando o país para o “the day-after”. Note-se que este governo teria mais facilidade em renegociar com a troika as condições vigentes em função da sua abrangência e pelo facto de ter outros protagonistas.

Registe-se que este cenário a acontecer, será mais benéfico para os partidos da coligação, mormente para o PSD que se arrisca a ser varrido do mapa autárquico nas eleições de 2013 e isto porque o país ainda não é, passados 38 anos sobre Abril, maduro políticamente e tende a confundir o que realmente está em jogo na hora do voto. Já para o PS, convencidos que estão Seguro e seus camaradas que quanto mais tempo Pedro e Paulo se mantiverem no poder melhor, este facto pode levar a que a estratégia da amnésia caia por terra e que chegados às próximas legislativas o “rei Tó-Zé” afinal vá nú…

O segundo momento são as eleições autárquicas de 2013, onde no rescaldo da noite eleitoral e em face dos mais que previsiveis resultados Pedro se veja obrigado a tirar consequências políticas do “castigo” imposto pelos portugueses, até porque, se não o fizer, os seus compaheiros do PSD se encarregarão de o fazer com que tal aconteça…

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