38 anos após Abril,o que ficou por dizer no dia de hoje…

Nota prévia: discurso que tinha preparado para a Sessão evocativa das comemorações do 25 de Abril da Assembleia Municipal de Viseu,na qual não pode participar por motivo de doença súbita.

Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Viseu
Sr. Presidente da Câmara Municipal de Viseu
Sr. Comandante do Regimento de Infantaria 14, em si cumprimento todos os militares que restauraram a democracia e a liberdade no nosso país
Sras. e Srs. Vereadores
Srs. Presidentes de Juntas de Freguesia
Sr. Bispo de Viseu, Excelência Reverendíssima
Autoridades Civis e militares
Srs. Jornalistas
Viseenses

Comemoramos, hoje, trinta e oito anos  sobre o ” O dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio”, como Sophia de Mello Breyner o descreveu e, estou certo, muitos portugueses o sentiram e o sentem hoje ao recordarem essa madrugada que tanto esperavam.

Hoje é  o dia em que se celebra a liberdade, a igualdade e a justiça. Valores fundamentais num Estado de direito, e que sem sucesso,   noutro dia 25, o de Novembro, foram postos em causa. Faço parte de uma geração que cresceu com a liberdade e que de forma descomplexada olha com orgulho para a história do seu país, de Portugal.

Não posso, nem estaria de bem com a minha consciência, se hoje e aqui não o fizesse, deixar de agradecer a quem me deu esse privilégio. Faço-o na singularidade do Regimento de Infantaria 14, também conhecido como de Viseu, que aderiu ao então chamado Movimento dos Capitães, que em Viseu contava, entre outros, com  Gertrudes da Silva, Arnaldo Carvalhais, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Amândio Augusto que lideraram as operações com vista à participação do RI 14 com uma Companhia, que naquela madrugada de Abril seguiu para a Figueira da Foz, onde se juntou a outras unidades em acção com vista a constituir o denominado agrupamento «November». Ontem, como hoje, considero as Forças Armadas um pilar sólido da democracia e o garante da liberdade, independência e soberania do Povo Português.

Povo, que nesta viagem, atingiu objectivos dignos de uma nobre Nação: consolidámos a democracia; lançámos a 3ª vaga de democratização, que foi seguida pela Grécia, pela vizinha Espanha e América Latina; descolonizámos; recebemos e integrámos os nossos compatriotas; demos passos sólidos na Europa; atingimos o euro; desenvolvemos o país. Apesar de todos os males de que padece, a sociedade portuguesa é hoje mais justa do que aquela que existia há 38 anos, em tempo de vésperas dessa madrugada de Abril

. Mais do que lembrar o passado, devemos reflectir sobre o presente e perspectivar o futuro, perceber como e porquê chegámos aqui, sem panaceias e análises que de tão politicamente correctas raiam a patetice de querer esquecer esse passado, por vezes recente, como quem usa uma toalhita dodot. Feliz ou infelizmente para todos nós, o actual Estado da Arte não permite que isso aconteça, apesar do esforço e vontade de alguns.

Num momento particularmente difícil, os desafios que hoje se nos apresentam, esperam de todos nós o mesmo tipo de vontade, de sonho, de determinação e de capacidade de resposta que tiveram os capitães do 14 e outros militares de Abril.

Hoje, urge perguntar: Em Viseu, Abril foi cumprido?

A resposta terá de ser: Parcialmente. Viseu é um concelho de desenvolvimento intermédio, algumas características aproximam-nos dos concelhos mais desenvolvidos tais como: a taxa de crescimento demográfico; segurança; vias de comunicação; desenvolvimento concêntrico e organizado do espaço urbano. Por outro lado, a falta de emprego jovem e qualificado; o fraco desenvolvimento industrial; os impostos e fiscalidade municipal elevada; a reduzida aposta em políticas de dinamização cultural; a introdução de portagens com preços desmesurados; a falta de ligação à rede ferroviária; a promoção da subsidiodependência ao nível associativo e o elevado grau de dirigismo político da sociedade; aproximam Viseu dos concelhos menos desenvolvidos.

Viseu não se desenvolveu como podia e poderia. Sim somos bons, muito bons, mas após anos de milhões de euros de fundos comunitários, deveríamos estar melhor preparados para o presente e para o futuro. O modelo de desenvolvimento seguido nas últimas décadas teve como resultado o regresso da emigração. Paradigma do subdesenvolvimento dos anos 60, no qual a emigração, de ontem e de hoje, existe não por vontade própria mas pela mais simples necessidade de em face da falta de oportunidades, sobreviver. Neste ponto a única alteração é a elevada qualificação académica de quem parte. Contudo, tanto o CDS como a população, entendem que Viseu, não é uma ilha isolada no contexto nacional e estamos dispostos a partilhar as nossas conquistas e derrotas, sem ter a veleidade de sermos melhores que os outros apenas porque esses são piores, mas com a bondade de quem promove e procura um amanhã muito melhor  O cidadão viseense é um ser de acção, coragem, abnegação e partilha, acolhedor e capaz de perseguir e alcançar um objectivo comum. Neste momento, particularmente difícil, os viseenses impelidos pelo poder municipal têm de se unir em torno de um projecto comum para o reforço da cidadania activa. As verdadeiras reformas só acontecem com a participação dos indivíduos, o CDS conta com todos. Para tal acontecer, será necessária uma liderança motivadora pelo exemplo, contagiante na alegria e descomplexado no pensamento. Como já afirmei, existem aspectos positivos que devem ser aproveitados, mas se queremos ser a capital de uma nova geração de políticas, ideias e cultura temos de avançar.

Como sociedade, devemos apostar numa visão a longo prazo e assumir o futuro com vontade e determinação. Necessitamos de exigência, realismo e pragmatismo. Temos de desenvolver uma nova cultura social através do apoio à família, às instituições sociais e ao voluntariado. Importante também será reforçar o focus sobre a segurança através do diálogo saudável com a PSP, GNR e reforçar a capacidade da polícia municipal, dignificando-a na sua actividade., urge aproximar as aldeias da cidade através da melhoria da oferta de transportes públicos. Em termos económicos temos de  relançar o comércio, a indústria, a cultura, apostar no turismo e desporto, incentivar a criação e produção local. Terá de existir uma mudança no modelo de desenvolvimento económico. É nosso entender que os municípios não devem criar riqueza, no sentido de serem os principais empregadores, mas devem criar condições de atracção do investimento económico. tornando, assim, viável a criação de riqueza pelo agentes locais. Devem recompensar o mérito, a inovação, a responsabilidade social e ética. De igual modo, não podemos gerir um espaço urbano que se quer moderno usando a mentalidade e os instrumentos do passado. Nesta matéria é necessário tornar o concelho atractivo para que trabalhadores, estudantes, investidores e empresas se instalem, desenvolvam a sua actividade e atinjam o seu fim último, a criação de riqueza.. Neste novo paradigma, deve-se dar prioridade ao investimento reprodutivo. Menos Rotundas, mais apoio a P.M.E’s e micro-empresas.

Os agentes políticos terão de assumir um compromisso eleito-eleitor com base numa ética de responsabilidade de modo a acabar com a fuga aos compromissos e com lapsos de memória. Unidos sob uma bandeira e um desígnio comum venceremos, teremos sucesso!

Acreditamos em Portugal, acreditamos no futuro, acreditamos em Viseu. Tanto no contexto nacional, ibérico e europeu Viseu tem passado, tem presente e tem futuro.

Como escreveu Vergílio Ferreira, mas não imbuído da mesma angústia do autor, permitam-me a citação:

“Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.”

VIVA VISEU! VIVA A LIBERDADE!

VIVA, MAS VIVA SEMPRE, SEMPRE PORTUGAL!

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